A PRIMAVERA

Gostaria de propor algo diferente este mês para esta coluna. Antes de iniciar a leitura, peço que você abra seu celular no App de músicas que mais goste e coloque o CD entitulado “Vivaldi: Die vier Jahreszeiten” que é uma gravação dos Concertos para Violino e Orquestra de Antônio Vivaldi que, na sua totalidade, é chamada de “As Quatro Estações”. Neste CD, os solos de Violino são feitos pela incrível violinista alemã Anne-Sophie Mutter e executado pela Filarmônica de Vienna.
Uma vez selecionado o CD, procure o seguinte título: Violin Concerto in E Major RV 269. Este é o Concerto em Mi maior, mais conhecido “A Primavera de Vivaldi”. Permita que os violinos ali presentes tragam à sua mente a leveza das flores que desabrocham, o canto dos pássaros e a alegria do renascimento. Essa música, composta há mais de 300 anos, continua a traduzir em sons aquilo que sentimos quando o inverno se despede e a vida se renova.
Interessante como quando somos chamados a escrever sobre algo mensalmente, como foi meu combinado com nosso querido Ir. Victor Antar, autor deste sempre esmerado Boletim, passamos a observar mais nosso entorno buscando expandir nossos olhares ao mundo, com fins a trazer algo concreto e espiritual ao mesmo tempo, no meio do caos do dia a dia. É um exercício de extrair significado de pequenas grandes coisas e momentos…
Uma tarde deste mês, indo ao Hospital passar visita, buscava algum assunto que fosse pertinente a nós e tocasse a todos os Irmãos. E foi quando vi uma imagem semelhante a esta:

Digo semelhante pois não consegui fotografar a que vi, mas há um fiel retrato do que meus olhos viram com esta foto aleatória encontrada na internet. O Ipê florido, amarelo, tal como ouro, ganhou sua plenitude em beleza poética. No entanto, o Tempo que o fez florir também o fez verter suas pétalas douradas ao chão, inundando de riqueza a paisagem fria da cidade.
Pensei na Iniciação de nossos novos Irmãos que agora ganharam a Luz da Maçonaria e também passarão pelo ciclo de crescimento, deixando algumas de suas bagagens para trás como as pétalas ao chão, preparando-se para brotar no ano seguinte, com mais Ouro nos galhos, a Iluminar a vida e o mundo tão necessitado da Luz Pura!
A primavera no Brasil (Hemisfério Sul) começou segunda-feira, 22 de setembro de 2025, às 15h19 pelo horário de Brasília, e, como sempre, é marcada pelo chamado Equinócio de primavera, ou seja, o momento quando o dia e a noite têm aproximadamente a mesma duração. Este fenômeno astronômico ocorre pois o Sol fica alinhado sobre o Equador, resultando em uma duração praticamente igual do dia e da noite sendo, portanto, um ponto de equilíbrio entre luz e escuridão, um verdadeiro marco universal celebrado desde as civilizações antigas que já viam, nesse instante, o renascimento da natureza: o fim do recolhimento invernal e o anúncio do florescimento, da fertilidade e da abundância. Templos e monumentos foram erguidos em torno do Solstício e dos Equinócios, dado ao fato de o movimento dos astros sempre ter sido compreendido como expressão da ordem Divina.
Para nós, Maçons, a Primavera simboliza o trabalho interior. Assim como a semente rompe a terra para dar origem ao broto, somos chamados a romper nossas próprias limitações para permitir que a virtude floresça. O equilíbrio do equinócio recorda-nos que o caminho da retidão exige harmonia: entre silêncio e palavra, entre razão e emoção, entre o que guardamos em nós e o que oferecemos ao mundo.
Esta linda estação do ano é a lembrança de que nada permanece estagnado: o tempo traz sempre a possibilidade de recomeço. Esta simbologia é um chamado para vivermos novas Primaveras interiores. A cada dia, a cada sessão, a cada estudo, a cada gesto de fraternidade, polimos um pouco mais a Pedra Bruta e renascemos para novas perspectivas. O trabalho maçônico não é linear, mas cíclico, como as estações: há momentos de recolhimento, de silêncio, de inverno — mas sempre em direção a uma nova florada!
O Compasso e o Esquadro, quando usados com disciplina e amor, são instrumentos que nos ensinam a equilibrar esses ciclos. Eles recordam que o renascimento não vem apenas do tempo, mas do esforço consciente em sermos melhores, em transformar, a cada dia, a sombra em luz.
Escrevo este texto ao final do domingo dia 28/09/25, após um passeio ao Shopping, onde novamente me deparei com a Cidade Fria e as Flores com estas duas imagens:

Há beleza nesta frieza da cidade se soubermos olhar para o lugar certo! Que esta Primavera inspire cada Irmão a florescer novamente — em virtude, em fraternidade, em sabedoria, pois a Ordem nos chama, continuamente, a mais um renascimento, até que possamos contemplar o Templo Interno em sua plenitude e beleza!


Que o G∴A∴D∴U∴ faça brotar em nós a Primavera eterna da esperança e do trabalho construtivo!


Fraternal abraço a todos,
Rodrigo Grinberg.